30 julho 2010

Blog - Introdução


Hoje me vi jogada contra a parede.
Um leitor do blog me perguntou: "Meu, vc tá querendo se suicidar?! Vc é farmacêutica e está falando mal de medicamento? Bateu a cabeça?!". Eu fiquei pensando...

Pensei em criar esse blog quando um professor nos contou um caso interessante em sala de aula:
"Um senhor de 64 anos em São Paulo, que teve hemorragia gastrointestinal e faleceu após iniciar o tratamento com Prexige - antiinflamatório de segunda geração que, quando lançado prometia ser um verdadeiro milagre para quem tivesse que fazer uso crônico de antiinflamatórios, pois não causava efeitos colaterais. O problema é que foram descobrir na avaliação de risco pós-lançamento, que o medicamento não poderia ser tomado por idosos, já que atingia o coração."
Além desse, muitos outros casos semelhantes aparecem no noticiário todos os dias.

Será que a culpa foi dele, que tomou o medicamento por conta própria, sem consultar um profissional adequado? Ou será que as informações não foram passadas devidamente?! Por isso, pensei em criar esse blog, para dar ciência aos interessados sobre as informações que nos são passadas apenas em sala de aula, mas que deveriam ser passadas a todos. Dentre as informações medicamentosas, algumas dicas que visam sempre o bem-estar, pois nem só de Prozacs e Lexotans vive o ser humano!

22 julho 2010

Anticoncepcionais orais



Hoje estava lendo a revista Saúde desse mês e junto com ela, veio um especial sobre pílulas anticoncepcionais. Uma matéria até que bem interessante, explicando de forma muito didática o ciclo menstrual e como agem os contraceptivos hormonais. Porém um fato me chamou a atenção, a postura totalmente favorável dos autores quanto ao uso da pílula anticoncepcional. Dentre muito prós, falavam que, com as pílulas de hoje “os efeito colaterais são mínimos, e as vantagens, diversas (...)” (detalhe – quem citou isso era homem!) e blá-blá-blá! Porém, a história não é bem assim...

As pílulas anticoncepcionais são, em sua maioria, um combinado de hormônios, a progesterona e o estrogênio. O grande vilão na pílula é o estrogênio. É ele o grande responsável pelo aumento dos fatores de coagulação sanguínea em usuárias e conseqüente aumento do risco de trombose. Além de aumentar os fatores de coagulação, ele diminui os fatores anti-coagulantes (já dá pra ver o tamanho da m... né?!), e por isso que aumenta também a incidência de varizes em quem já tem predisposição genética – pra quem não entendeu, o sangue fica mais viscoso, dificultando a circulação e provocando varizes. Esses riscos são ainda maiores entre fumantes.

Se isso não fosse o bastante, o progestagênio (análogo da progesterona) apresenta efeitos androgênicos, como acne e hirsutismo (aumento dos pêlos do corpo – efeito bastante contraceptivo, não?!). Esses efeitos são mais expressivos em algumas mulheres do que em outras, pois existe todo esse efeito androgênico da progesterona mas, ao mesmo tempo, há diminuição do nível de testosterona – hormônio masculino – no sangue da usuária e, por isso, há diminuição da libido (Nossa!! Mais essa?! Pois é...). E ainda existe mulher – e não é pouca – não querendo mais fazer a pausa necessária na cartela para menstruar. Isso eu sou totalmente contra, mas em outro post explico o porquê.

Não podemos esquecer também das alterações metabólicas que ocorrem, principalmente no metabolismo de gorduras e açúcares. Lactantes também não devem tomar pílula combinada; para elas, só minipílulas, que são pílulas que contêm apenas progestina.
Não estou dizendo que pílulas não são boas. Não, pelo contrário, tomei pílula por muito tempo e acho extremamente necessário em alguns momentos da nossa vida para não termos uma surpresinha...



Eu fiquei indignada com a postura totalmente favorável de alguns médicos dizendo ainda, que quase não existem efeitos colaterais. Existem sim, como qualquer outro medicamento, e todos devem saber, principalmente quem faz uso. Passem isso adiante!

17 julho 2010

Cuidados com a aspirina


Sendo o primeiro fármaco sintetizado na história da Farmácia (1899) e mostrando alta eficácia, o uso da aspirina se tornou uma prática muito comum. Ainda que muito contraditório, é um fármaco que se deve usar com extremo cuidado. Aspirina pode ser um excelente analgésico, antitérmico e antiinflamatório, mas tem efeitos adversos bastante graves. Por exemplo, aspirina não pode ser administrada para crianças que tiveram uma infecção viral, mas qual é a primeira coisa que os pais fazem quando a criança começa a apresentar febre e reclamar de dores no corpo??? Dá-lhe Melhoral Infantil. Eu explico o porquê: quando se administra aspirina para uma criança após uma infecção viral, ela pode contrair uma patologia chamada Síndrome de Reye. Essa síndrome acomete principalmente fígado e cérebro, ou seja, a criança apresenta encefalopatia metabólica progressiva (com edema e hipertensão craniana) e insuficiência hepática. Uma bomba!

Outro caso grave, porém mais conhecido, é no caso da Dengue. Aspirina alivia todos os sintomas da dengue só que tem por propriedade ser anticoagulante e às vezes esse efeito é até desejável - como quando se deseja evitar a formação de um trombo (que são placas de ateroma no interior dos vasos sanguíneos)-, porém quando se toma aspirina e contrai dengue novamente, provavelmente a pessoa terá dengue hemorrágica, já que o corpo terá seu processo de coagulação do sangue inibido.
Ainda por essa característica anticoagulante, aspirina não deve ser administrada para gestantes, pois dificultará o trabalho de parto, com risco de hemorragia. Outras contra-indicações são para asmáticos e pessoas com complicações no trato gastrintestinal.
Pois é, um medicamento comum, vendido até em gôndolas sem nenhuma complicação para ser adquirido, pode ter todos esses problemas. É preciso estar atento!

16 julho 2010

Reprimindo suas defesas naturais

Betametasona e dexametasona são substâncias da classe dos corticosteróides, muito conhecidos das mães que têm filhos asmáticos, de pessoas que precisam fazer transplantes e outros. É um medicamento extremamente eficaz, que reduz em grande dimensão as respostas inflamatórias, como dor e inchaço (edema)- queixas mais comuns de quem está com uma inflamação - além de serem imunosupressores e suprimirem também respostas alérgicas. O que poucos sabem é que o uso de corticosteróides tem um efeito gravíssimo que muitos sentirão mais pra frente.
Quando o uso destes começou a ficar indiscriminado, na década de 90, foi feito um estudo para saber quais seriam os efeitos dos corticóides em curto e longo prazo. O que se descobriu foi que esses diminuíam o tamanho do timo de ratos em até metade do tamanho normal em menos de 72 horas. O timo é um órgão diretamente relacionado ao nosso sistema imune, ou seja, pessoas que fazem uso desses medicamentos estão suprimindo a capacidade do corpo de gerar respostas imunológicas quando precisarem.



Efeitos de corticosteróide na glândula do timo de ratos. Um timo normal (à esquerda) comparado com o timo de um rato 48 horas após a injeção de um corticosteróide (5 mg/kg de peso corporal). [De MM Compton e JA Cidlowski, 1992, Trends Endocrinol. Metabol. 3:17]


O timo tem uma involução (de tamanho) natural ao longo da vida, porém o corticosteróide acelera esse processo. Tá certo, esse é o objetivo inicial quando se toma esse medicamento - supressão da resposta imune - porém, esses efeitos podem ser irreversíveis e quando o organismo precisar se defender contra uma bactéria ou vírus ou seja lá o que for, não vai ter sua capacidade normal de resposta. Lógico que quando isso foi descoberto não foi divulgado pois a indústria farmacêutica gera milhões com a venda desses medicamentos todo ano. Ainda assim, esses medicamentos continuam sendo largamente usados em casos de Esclerose Múltipla, para se aliviar os sintomas em uma picada de abelha ou ainda - os casos que mais me angustiam - mães desesperadas que não querem ver o filho se sufocar numa crise de asma e administram beclometasona para a criança para evitar uma possível crise de asma. O problema é que muitas não sabem que estão "bombando" a saúde da criança e acabando com a resposta imune da mesma. É preciso parar para pensar, como no caso da asma: "Quais as possíveis causas dessa asma?". Muitas vezes a asma tem fundo mais emocional do que fisiológico e, nesse caso, o tratamento medicamentoso não é a melhor opção. Em algumas situações é preferível deixar o organismo responder e se defender pois ele sempre sabe o que está fazendo, nós é que não entendemos.
Fora tudo isso, o uso indiscriminado de corticosteróide causa uma síndrome muito séria, chamada "síndrome de Cushing", mas isso vai ser assunto para um próximo post, pois eu já falei mais do que devia neste.

14 julho 2010

Tudo tem um começo...

Hoje está sendo um dia muito especial e, depois de alguns eventos, ainda estou tendo o prazer de finalizá-lo com a criação desse blog...
Um projeto que estava adiando há algum tempo, mas que não pode mais esperar! Espero que seja muito útil e que vcs gostem!!