08 novembro 2010

Antidepressivos - Evolução


Esse post vai ficar um pouquinho grande, mas se você faz uso de antidepressivo ou pensa em fazer, sugiro que o leia. Afinal estamos falando da classe de medicamentos que mais teve aumento de vendas nos últimos 5 anos (algo em torno de 48%). Os antidepressivos são a quarta classe de medicamentos mais vendidos, ficando atrás apenas de antiinflamatórios, analgésicos e contraceptivos, portanto uma das classes mais lucrativas da indústria farmacêutica.

Antigamente, os antidepressivos se resumiam a duas subclasses mais usadas, os inibidores da Monoamina Oxidase (IMAO) e os antidepressivos tricíclicos (ADT).

Resumindo:

Os IMAO são inibidores irreversíveis de uma enzima que degrada monoaminas, como os neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina, ou seja, inibia os três ao mesmo tempo. Inibindo essa enzima, mais quantidades do neurotransmissor ficava disponível nas fendas sinápticas por mais tempo. Resultado: a sensação de prazer era aumentada. Por agir nos três receptores simultaneamente, os efeitos colaterais eram extremamente severos. Além disso, quando se fazia uso desse medicamento, era necessário que o paciente restringisse consumo de alguns tipos de alimentos, não podia ser usado por cardiopatas e era bastante hepatotóxico. São exemplos de IMAO: Marsilid, Marplan, Nardil, Eutonyl, Deprenyl e Aurorix.
Os ADT inibem preferencialmente ou receptores de serotonina ou receptores de noradrenalina. Mas ainda assim um pode agir no outro receptor. Exemplos de ADT: Imipramina, Anafranil, Tryptanol e Vivactil.

Atualmente:
Já há algum tempo, os antidepressivos mais usados são inibidores seletivos da recaptação, que pode ser apenas de serotonina, apenas noradrenalina ou ambos. Por que isso é importante? Porque tratará mais especificamente o tipo de depressão do paciente, cpm menores efeitos colaterais.
Exemplos de inibidores seletivos da recaptação de serotonina: Prozac, Aropax, Serenata.
Exemplos de inibidores seletivos da recaptação de noradrenalina: Ludiomil, Prolift.
Exemplo de inibidor da recaptação de ambos: Efexor.

Uma depressão onde há falta de serotonina costuma ter os seguintes sintomas:
  • ansiedade;
  • pânico;
  • fobia;
  • obsessão;
  • compulsão
  • depressão do humor.
Na falta de noradrenalina, os sintomas são:
  • diminuição da concentração;
  • perda da memória;
  • fadiga;
  • depressão do humor;
  • diminuição da atenção.
Você pode olhar esses itens e pensar: "Ai meu Deus, eu tenho todos os sintomas, vou na farmácia agora mesmo". Não é bem assim. É normal você se sentir ansioso(a), devorar uma caixa de chocolate de uma vez só ou estar com uma perda de memória ultimamente, mas isso não quer dizer que você precise fazer uso de antidepressivo. Este normalmente é indicado quando a pessoa apresenta vários desses sintomas simultaneamente (geralmente três ou mais) por um tempo prolongado e não há nenhum indício de reação por parte do paciente. Mas se ainda assim você já está se preparando para ir à Farmácia, lembre-se de consultar um profissional especializado.

Em muitos casos, o uso desse tipo de medicamento não seria necessário. Por exemplo, você sabia que praticar atividade aeróbica (corrida, caminhada, ciclismo) por meia hora, libera quase a mesma quantidade de serotonina que é fornecida por um Prozac? Além disso, aumenta quantidades de noradrenalina e endorfinas no nosso cérebro.

Não se esqueça: Boas risadas substituem qualquer antidepressivo. Por isso, curta mais a vida!



Um comentário:

Cristina Dias disse...

Muito boa matéria, e as fotos perfeitas