21 outubro 2010

Superbactéria



Após quase um mês sem dar uma passadinha pelo blog (aproveito para pedir desculpas aos leitores fiéis – acredito que eu tenha algum “o_O”), volto para esclarecer um assunto importante, que tem tirado o sono de muita gente: a tal da superbactéria. Antes, vamos desvendar a danada.

A superbactéria é a bem conhecida já dos microbiologistas, Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC), uma bactéria gram-negativa na forma de bastonete (figura). O último nome – carbapenemase – significa que ela possui essa enzima, que a torna resistente a muitas drogas, incluindo todas as penicilinas, cefalosporinas, carbapenemas e ao aztreonam. Mas calma, nem tudo está perdido. Existe um antibiótico, conhecido por Tigeciclina que promete tratar a KPC, mas por ser relativamente novo no mercado (apenas 4 anos), ainda não tem comprovação segura de cura, ainda mais se o paciente já apresentar um quadro de pneumonia severa. Esse medicamento não está disponível na rede pública, pelo custo elevado. Ou seja, existe tratamento, não tão seguro (sabe como é medicamento novo no mercado, né?!) para quem já está infectado, mas a prevenção ainda é o melhor remédio.
Sendo assim, como uma boa futura farmacêutica, tenho que mostrar os passos tradicionais de prevenção para não ter a infecção (quem já estiver cansado de ouvir isso, pode pular, eu deixo, só hoje...):

• Lavar as mãos: antes de comer, após usar transportes públicos, antes de levar a mão à boca e/ou aos olhos, etc;
• Não levar a mão à boca e/ou olhos caso esteja em ambiente hospitalar;
• O uso de álcool gel tem se mostrado bastante eficiente;
• Não ingerir alimento de pessoas infectadas;
• Etc.

Para se prevenir, a melhor medida ainda é levantar sua imunidade, não criando dessa forma uma condição favorável para a bactéria se alastrar. Venho novamente falar da importância da alimentação. Mas dessa vez não é só porque esse papo zen me atrai, tenho comprovações científicas! A KPC é uma bactéria que existe no meu e no seu estômago! Surpreendente não?! Pois é, assim ela se torna patogênica através de mutação. Lógico que a antibioticoterapia descontrolada favoreceu essa mutação, porém se o indivíduo tem um estômago fortalecido, a bactéria mutável patogênica não encontra meio para se instalar. Aí você me pergunta: “Mas eu aspirei a bactéria, como meu estômago vai influenciar nisso?!”. A bactéria entrou em você (espero que isso nunca aconteça, mas só exemplificando), ela está no seu pulmão, atinge circulação sanguínea, daí ela pára e pensa “pra onde eu vou agora? Bem, minhas ‘primas’ estão lá no estômago, então lá deve ser um ambiente favorável para mim”. Óbvio que será, pois ela carrega toda a informação genética das primas, apenas teve uma mutação que a deixou mais resistente. Desse modo, a medida preventiva primordial para não contrair a KPC é fortalecer estômago. Aí você me diz novamente, “Tá bom Mariana, agora você ficou louca”! Não gente, isso é Medicina Tradicional Chinesa aplicada à Farmácia (deveria virar uma disciplina isso).

Voltando à questão da imunidade, eu lhe dou uma dica, melhore sua alimentação. Basifique seu estômago, comendo muita verdura orgânica, frutas e tomando ban-chá após as refeições com ameixa umeboshi. Além disso, evite lanches prontos, comida congelada, salgadinhos, açúcar, condimentos como catchup, mostarda etc. pois estes deixam seu organismo muito ácido, o que favorece o hábitat desses microrganismos patogênicos. Além disso, tomando essas medidas você estará “cuidando” das suas bactérias intestinais, que são responsáveis por, entre outras coisas, levantar sua imunidade.

Fica a dica então! Você pode duvidar ou acreditar, pois esses conhecimentos não estão em livros universitários ocidentais, mas posso lhe garantir que seguindo esses passos, pouca ou nenhuma preocupação com doenças você terá em sua vida.

9 comentários:

Anônimo disse...

Texto interessante!
Você tem boa didática. Você pensa em seguir carreira acadêmica?

marianadias disse...

Olá anônimo,

Obrigada! Não penso em seguir carreira acadêmica, mas nunca sabemos para onde o vento pode nos levar, não é mesmo?!

Abraço!

luorsioli disse...

Não sabia da existência de superbactérias !!!
Adoro ler esse blog, pois não entendo nada de farmácia e saúde, ou seja, para mim, aqui, tudo é novo.
Tu está escrevendo muito bem!

marianadias disse...

Obrigada amigo querido!

Adorei ler o seu também, que está apenas começando mas tem tudo para bombar!
Tenho o enorme prazer em tê-lo como leitor! Continue acompanhando...

Beijo!

Cristina Dias disse...

Muito interessante a matéria, estarei copiando e deixarei fixado no quadro de aviso, caso vc permita é claro. Escreva mais a respeito, pois assuntos como esse são de utilidade pública e não são encontrados em livros acadêmicos. Parabéns pela iniciativa de orientar.

marianadias disse...

Lógico que tem minha permissão... Aqui tudo é permitido! rs.
Obrigada pelo apoio. Ele é muito importante!

Beijo!

Marcelo Negrão Nucci disse...

Mais uma vez um texto excelente: claro, leve e ao mesmo tempo didático e objetivo. Parabéns, você está se superando a cada dia, continue assim.

marianadias disse...

Rs, obrigada pai!

Sua opinião é muito importante!!

Fico muito feliz em tê-lo aqui, como leitor assíduo... Sabia que eu tinha algum! rs!

Beijão!

Lucas disse...

oi Mari
Realemente essa bactéria ta causando dor de cabeça (e olha q ela nem se aloja no cérebro! rs)

Poxa!
Estou apaixonado por esse blog, Mari!
Como vc escreve bem! O.o

ah... sauade de vc... no orkut, nunca mais mesmo? sem ele, só o blog pra nos aproximar é? :(
bjo