22 setembro 2010

Interações Medicamentosas - uma visão simplificada

Como uma futura farmacêutica muito desconfiada, sempre gostei de dar uma boa olhada nas bulas dos medicamentos que vou tomar. Depois de estudar muito, finalmente consigo entender o que elas dizem, mas sei da dificuldade de alguns, pois são muitos termos técnicos e a maioria das pessoas pula direto para “POSOLOGIA” depois de perder a paciência.

Ao fazer isso, perdemos uma parte importante que são as “INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS”, pois muitos fazem uso de vários medicamentos ao mesmo tempo e saber se um vai interferir no metabolismo do outro é essencial.

É uma área muito extensa, eu não vou conseguir explicar tudo aqui e eu duvido que você teria paciência para ler até o final, mas você já terá dado um grande passo ao descobrir se o medicamento que você está fazendo uso é um inibidor enzimático ou um indutor enzimático. O que isso significa?


Ambos agem na Monoamina Oxidase (MAO), uma enzima presente no organismo que degrada monoaminas. Existem dois subtipos de MAO. Cada um deles tem preferência por um tipo de substância e se encontram em locais específicos. Para simplificar, lhe digo que muitas das substâncias presentes no nosso corpo e outras que ingerimos (como alimentos e medicamentos) são constituídas por monoaminas. Assim sendo, as pobres coitadas percorrem um longo trajeto até alcançar uma dessas enzimas para serem degradadas e eliminadas.

Quando você faz uso de, por exemplo, um medicamento que é constituído por uma amina e um outro medicamento que é um indutor enzimático, este último irá acelerar a atividade da enzima e esta por sua vez irá apressar a ação do primeiro, impedindo que esta ação seja completa. O mesmo ocorre com um inibidor enzimático, mas por vias inversas, ou seja, ao invés de acelerar a enzima, o inibidor vai deixá-la “lentinha” e assim as monoaminas irão acumular no teu corpo e só Deus sabe o mal que isso fará, que pode ser desde uma simples dor de cabeça até uma hemorragia cerebral.

Exemplos de indutores enzimáticos: rifampicina (antibiótico), carbamazepina ou fenitoína (antiepilépticos), barbitúricos (sedativos), glutetimida (calmante), primidona (anticonvulsivante), tabaco (cigarro), dexametasona (corticóide), etanol (álcool etílico), isoniazida (antiepiléptico), omeprazol (antiulceroso) e muitos outros.

Exemplos de inibidores enzimáticos: alopurinol (anti-hiperuricêmico), cloranfenicol (antibiótico), cimetidina (antiulceroso), ciprofloxacino (antibiótico), dextropropoxifeno (opióide), dissulfiram (coadjuvante no tratamento do alcoolismo), eritromicina (antibiótico), fluconazol (antimicótico), fluoxetina (antidepressivo - Prozac), isoniazida (anticonvulsivante), cetoconazol (antifúngico), metronidazol (antiprotozoário), fenilbutazona (antiinflamatório) e verapamil (antiarrítmico) , antidepressivos da classe dos inibidores da MAO, entre outros.

IMPORTANTE

Quando você estiver fazendo uso de um inibidor enzimático (como os antidepressivos), diminua o consumo de produtos com elevada concentração de tiramina (uma amina metabolizada pela MAO), tais como banana, chocolate e queijos curados, pois o acúmulo de tiramina pode causar os efeitos adversos citados acima.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito interessante a matéria. Até hoje desconhecia uma informação tão importante. Estarei enviando para meus contatos.